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sexta-feira

Um final triste...

Desta vez vamos andar para trás no tempo...
mais propriamente até Agosto de 2012

Vai fazer 3 anos que andava pelos arredores da minha casa com 2 Amigos
e fui-lhe mostrar um pequeno trilho que acabava numa zona ribeirinha muito porreira,
até aqui, nada de especial... mas no final do trilho encontramos um triste espectáculo.

Era um jipe atolado até às orelhas, num terreno nada simpático,





Bom... verdade seja dita, que com um pouco de trabalho ele até sairia dali...
mas não saiu, nem se sabe quando vai sair, e digo isto passados quase 3 anos,

Quase nem acreditava-mos no que víamos...
e o primeiro pensamento que tive foi:
- mas que raio faz um jipe ali?? mas quem levaria um jipe para ali?
aquilo é lama pura e mole como tudo !!
um senhor que ia a passar com a toalha de praia debaixo do braço, dirigiu-me a palavra:
- já viram este "artista" do jipe, entrou pela praia a dentro com aquilo, começou a fazer raly e quase me atropelava o cão... havia crianças na praia que tiveram de fugir para ele andar a fazer piões...
Agora está atolado, e eu quero ver quem o vai ajudar.





A estupidez ou ingenuidade dá nestes resultados,
depois da explicação do senhor do cão, a duvida era se iríamos dar-lhe uma ajuda ou não,
eram evidentes as marcas dos piões na areia, e realmente havia umas quantas famílias com crianças junto a essas marcas...

Ninguém na praia se mostrou disponível para participar no resgate do jipe,

o dono (ou o motorista) do jipe dirigiu-se a nós a "pedir" ajuda,
eu perguntei-lhe:
eu - já experimentas-te a tirar algum ar dos pneus ?
ele - tirar ar para quê ?
o Rui repetiu o que lhe tinha dito - experimenta a vazar os pneus para ganhares tracção 
ele - eih pá, eu preciso é que empurrem, que aquilo sai, e bla bla bla....

Algo nas entrelinhas da conversa estava errado,
era um poço de egoísmo sem sentido aliado a um desprezo do que é certo ou errado,
eu sei lá ! como descrever isso... pois não sou psicólogo,
mas acima de tudo, uma completa falta de humildade característica de quem pede ajuda
basicamente seria nossa obrigação entrar pela lama a dentro para empurrar o jipe,
era isso que se percebia nas entrelinhas da conversa...

olhamos os 3 uns para os outros, e quase dava para ler os nossos pensamentos...
Nunca na minha vida tinha virado costas a um veiculo em apuros,
mas há sempre uma primeira vez para tudo, e fomos à nossa vida...

muita coisa aconteceu horas depois,
primeiro a maré subiu, depois as autoridades foram chamadas,
as mesmas autoridades tentaram resgatar o jipe, mas sem sucesso, devido à falta de meios...
e o tempo foi passando e agora já faz "parte da paisagem"

Os impactos ambientais foram o que foram,
pois todos os óleos, acido da bateria e sei lá mais o quê, diluíram-se na agua do rio.


   12 Agosto 2012                      20 Agosto 2012



Regularmente vou ver o jipe... que está aqui: (Google Maps)
É uma zona muito bonita, e tenho alguns vídeos dos arredores do jipe, exemplo e outro exemplo,
e quando vou dar uma boa caminhada à beira rio. e por vezes tirou-lhe uma foto,
o resultado dessas fotos é a evolução da rápida degradação do veiculo


   Outubro 2012  (2 meses)



   Dezembro 2012  (4 meses)



   Maio 2013  (9 meses) 




Os 9 messes em contacto com a agua salgada deixaram grandes cicatrizes no Jipe,
Pormenor "engraçado", o auto-rádio ainda tem uma cassete no seu interior.




Muitas partes do motor são feitas de alumínio
e essas foram as primeiras a desaparecer na agua salgada...
9 messes depois era evidente que todo os óleos (e etc etc) diluíram-se no meio ambiente.




   Fevereiro 2014  (18 meses)



   Agosto 2014  (2 anos)



   Outubro 2014  (2 anos e 2 meses)



   Maio 2015  (2 anos e 9 meses)



   Outubro 2015  (3 anos e 2 meses)



Infelizmente foi assim,
na realidade este é apenas um de muitos carros que tenho encontrado um pouco por aí...

O autocarro em plena serra da Arrábida,                 ou este para os lados de Almada



Cabo Espichel




OBR pela visita
(Edgar)

6 comentários:

  1. Tens de vir à Figueira da Foz ver um "Eléctrico" que está plantado bem no meio da serra.
    Um abraço. João Teixeira.

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    Respostas
    1. Olá João
      pois é algo que existe um pouco por todo o lado (infelizmente)
      ABR
      OBR pela visita e pelo comentário
      (Edgar)

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  2. Como é que a Protecção Civil e os organismos ambientais que tanto se queixam de outras coisas, não fazem nada quanto a isto??!! Mas pronto, é o país em que vivemos.
    Grande publicação os meus parabéns!

    Um Abraço ao pro das motas. Francisco Sampaio e Mello

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    Respostas
    1. Olá Francisco
      Realmente é daquelas coisas que nos deixa a pensar...

      Diga-se de passagem que facilmente se tirava o jipe dali,
      fácil é como quem diz, porque difícil certamente também não era:
      Ainda foi falado numa conversa de Amigos, em levarmos 4 bidons de 200 litros cada e atarmos a cada jante durante a maré vazia,
      depois colocávamos uma cana bem grande com a bandeira nacional, esperávamos pela pré mar e deixávamos ele ir com a vazante a flutuar pelo rio abaixo...
      e esteve perto de acontecer... eheheh
      Mas ainda bem, que não passou duma conversa de café, ou dum simples desabafo revolucionário.

      OBR pela visita e pelo comentário
      ABRAÇO (Edgar)

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  3. Ainda à pouco tempo passei por lá e vi o jipe e estranhei, está bastante diferente, nem sabia desta noticia sobre o que tinha acontecido.

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    1. Boas...
      sim realmente ele ainda continua por lá, embora a agua salgada tenha estado lentamente a desfazê-lo e corrói-lo, e talvez seja apenas mais uma questão de anos para que desapareça...
      OBR pela visita e pelo comentário :)
      ABR (Edgar)

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